sábado, 4 de abril de 2015

FERRAMENTAS PARA O RECRUTAMENTO DE ADULTOS (Parte IV [última])

Texto de apoio elaborado por Sara Milreu, relativo ao módulo “Ferramentas para o Recrutamento de Adultos” integrado na 1.ª acção de formação da AEG-Portugal.
(adaptado do "Generational diversity in the BSA workplace", dos Boy Scouts of América)

Questões Geracionais e algumas Soluções

O significado do trabalho

O trabalho é sempre uma componente importante da vida de todos nós e da forma como nos definimos. A perspectiva das diferentes gerações face ao significado do trabalho pode resumir-se do seguinte modo:

Veteranos: trabalham porque gostam e encaram o trabalho como uma diversão, um acto de voluntariado, ou estão numa posição de liderança ou de destaque.

Pós-Guerra: a grande fatia desta geração continua a ser uma componente importante da forma como se definem, continua a representar um local onde querem ver os seus esforços reconhecidos e serem aceites. Alguns começam a reformar-se e estão à procura de substitutos, transferência do poder institucional, que-rem deixar o seu legado e transmitir-lhes a sua sabedoria. 

Geração X: a maturidade já lhes permite encarar o trabalho com um ambiente estável que lhes permite sustentar a família, mas com uma perspectiva de 3 a 5 anos, não mais. Capítulo da sua vida que lhes permite ir um pouco mais longe.

Geração do Milénio: algo que lhes ajuda a garantir um bom estilo de vida e um rendimento, mas que não os define, que lhes permite interagir com os seus pares, um local onde vão para trabalhar com alguém que os pode ajudar a atingir os seus objectivos.

Recrutamento
As estratégias de recrutamento devem variar de acordo com a geração que queremos atrair.

Para atrair os Veteranos, temos de lhes dar possibilidades de demonstrar o seu valor, de lhes demonstrar que têm conhecimentos e capacidades que podem e devem constituir um legado para as gerações seguin-tes. Precisam de um ambiente estável e de confiança, onde saibam que vão ser apreciados.

Os membros da Geração Pós-Guerra precisam de ver que ainda há espaço para liderar, para se assumirem enquanto força motriz do desenvolvimento da Associação.

Para recrutar elementos dentro da Geração X é necessário falar-lhes sobre as possibilidades de aprendiza-gem, sobre os outros indivíduos com quem pode estabelecer contactos e relacionamentos, da oportunidade de terem um mentor que os ajude a desenvolver-se e a ir mais longe no seio da Associação.


Para a Geração do Milénio, é importante centrarmo-nos nas possibilidades de aprendizagem num muito curto prazo, 3 a 6 meses, pois precisam de ver resulta-dos rápidos. Outra forma de os convencer é falar-lhes das redes que podem criar com os seus pares, através de projectos rápidos e imediatos. O seu individualismo deve ser cultivado, deixando-os brilhar. Eles sabem claramente onde estão e onde querem chegar, só preci-sam de um “empurrão” inicial que os faça avançar na direcção certa. Procuram agentes facilitadores nas associações, tal como os tiveram na figura dos pais.

Retenção
Para mantermos os nossos membros é necessário certificar-nos de que os nossos membros são líderes e estabelecem ligações, de uma forma muito pro activa. Não podemos deixar que os elementos da Geração X ou do Milénio se desmotivem e abandonem o Movimento por falta de tarefas para desenvolver ou de projectos para organizar. Preocupados com cada indivíduo, como ajudá-los, como integrá-los melhor, abordagem de preocupação e empatia genuína – conhecer o indivíduo e ajudá-lo a “florescer”.

Avaliações do Desempenho – performance reviews
Avaliar é importante, mas tem de ser feito de modo adequado. Não podemos demorar um ano para perce-ber que algo estava mal. Geração que nunca foi critica-da, por isso é preciso mostrar para que servem os da-dos, como se lêem e como se aproveitam para melho-rar as coisas.

Tópicos úteis

Porque é importante conhecer e reconhecer a diversidade geracional nas nossas Associações?
Conhecer e reconhecer a diversidade geracional pode ser um diferenciador estratégico, na medida em que nos per-mite adequar a nossa comunicação a cada uma das gera-ções e melhorar a eficácia das nossas interacções. Aumenta o respeito e o apreço de todos pelas diferenças e pelo que os outros têm para oferecer às nossas associações.


Introdução à Secção III - Trabalhar com as diferentes gerações
Nunca como antes, devido ao aumento da esperança média de vida e à forma como o envelhecimento activo é encarado, as nossas associações contaram com esta “mistura” de gerações. Tal diversidade pode dar-nos maior riqueza e produtividade, mas para tal é necessário compreender claramente as características de cada uma e a forma como cada geração é “única”.
Neste sentido, e apesar de a pertença a uma determinada geração ter um impacto significativo sobre a forma como cada um de nós vê o mundo, cada indivíduo teve um conjunto muito próprio de experiência, valores e crenças que pode introduzir algumas alterações a estes conceitos generalizados.
Assim, e como sempre na experiência da Humanidade, é importante conhecer e respeitar a individualidade de cada um dos nossos companheiros, nas mais variadas circunstâncias.

Conhecer a diversidade geracional ajuda-nos a compreender:
1) Que houve diversos fenómenos que deram origem ao sistema de valores, aspirações, atitudes e expectativas das diferentes gerações;
2) Que as diferentes gerações têm diferentes modos de ver o mundo, diferentes objectivos de desenvolvimento pessoal, diferentes formas de se expressar e envolver;
3) Que é necessário ter uma abordagem diferenciada para motivar as diferentes gerações,


Diferentes gerações, diferentes visões do que é, e formas de trabalhar em, equipa:

Veteranos: grupo, unidade, medida de proximidade, o grupo é tangível e constituído por pessoas conhecidas – “nós” em vez de “eu” – capacidade de escuta activa das opiniões dos outros.

Geração do Pós-Guerra: equipa é igual a tanto faz, a equipa tem de ser composta por pessoas que partilhem a mesma atitude,  clioente vem em 1º lugar, o objectivo final de terminar a tarefa vem em 1º lugar, quem quiser trabalhar e se revir nos objectivos é bem-vindo à equipa.

Geração X: eu tenho uma função e esta obedece a uma descrição, eu venho trabalhar todos os dias e desempenho as funções descritas nesse documento, depois regresso ao “meu” tempo, a equipa é importante e compreendo que tenho um papel a desempenhar na equipa, mas não me conformo exclusivamente em satisfazer as necessidades da equipa, quero apenas cumprir o meu dever, conforme descrito na descrição de funções.

Geração do Milénio: digam-se quais são os benefícios de estar nesta equipa, qual a utilidade, como vai ser, para mim, essa experiência de trabalhar em equipa o que me vai trazer a equipa, maior individualismo.


Tabela comparativa das gerações


Veteranos
Antes de 1945
Geração do Pós-Guerra
1945-1964
Geração X
1965-1979
Geração do Milénio
1980-2000
Pontos fortes
Estáveis; seguem as regras
Trabalham bem em equipa;
são competitivos
Adaptáveis e flexíveis; alta literacia tecnológica
Polivalentes; dominam a tecnologia
Atitude geral
Práticos mas conservadores
Positivos; lutam pelo sucesso
Cépticos e pessimistas
Optimistas; esperançosos
Atitude perante a autoridade
Respeito
Amor/ódio
Não se deixam impressionar ou intimidar
Aceitam-na de forma deferente
Estilo de Liderança
Hierárquico; com base na antiguidade
Participativo; consenso
Baseado na competência; claro e directo
Inclusivo; avesso aos conflitos
O que os desmotiva
Comentários vulgares e pouco apropriados
Politicamente incorrecto
Exageros  e clichés
Espera e atrasos
Experiência face à Diversidade
Segregação étnica
Início da integração étnica
Sociedade integrada como norma
Realinhamento das maiorias raciais
Informação sobre o Desempenho
Não ter notícias, é uma boa notícia
Periódica; com base em dados concretos
Interrompem e perguntam: “como está a correr?”
Querem informação instantânea e constante
Objectivos de carreira
Um emprego para a vida; construir o seu legado; segurança no emprego
Visibilidade; reconhecimento; melhoria das condições
Sucesso alcançável; sempre a aumentar competência
Actividades paralelas; oportunidade de agir em várias vertentes




Geração X
1965-1979
Geração do Milénio
1980-2000
Pontos fortes
Adaptáveis e flexíveis; alta literacia tecnológica
Polivalentes; dominam a tecnologia
Atitude geral
Cépticos e pessimistas
Optimistas; esperançosos
Atitude perante a autoridade
Não se deixam impressionar ou intimidar
Aceitam-na de forma deferente
Estilo de Liderança
Baseado na competência; claro e directo
Inclusivo; avesso aos conflitos
O que os desmotiva
Exageros  e clichés
Espera e atrasos
Experiência face à Diversidade
Sociedade integrada como norma
Realinhamento das maiorias raciais
Informação sobre o Desempenho
Interrompem e perguntam: “como está a correr?”
Querem informação instantânea e constante
Objectivos de carreira
Sucesso alcançável; sempre a aumentar competência
Actividades paralelas; oportunidade de agir em várias vertentes

Adaptado de http://olc.scouting.org/courses/diversity/index.html

quinta-feira, 2 de abril de 2015

FERRAMENTAS PARA O RECRUTAMENTO DE ADULTOS (Parte III)

Texto de apoio elaborado por Sara Milreu, relativo ao módulo “Ferramentas para o Recrutamento de Adultos” integrado na 1.ª acção de formação da AEG-Portugal.

(adaptado do "Generational diversity in the BSA workplace", dos Boy Scouts of América)

 Diferentes gerações,
    diferentes aspirações 


Trabalhar com as diferentes gerações

Os Veteranos
As atitudes e características desta geração face a qualquer tipo de trabalho projecto baseia-se num sistema de valores influenciado pela II Guerra Mundial e a Grande Depressão.

Pontos fortes: são bastante estáveis e leais, seguem as regras e desempenham as suas funções conforme esperado.

Atitude geral: são práticos mas conservadores, evitando correr riscos excessivos.

Atitude perante a Autoridade: a sua atitude face à autoridade é de respeito.

Estilo de Liderança: têm preferência por um estilo de liderança baseado nas hierarquias militares, em que a antiguidade é um posto.

O que os desmotiva: ficam desmotivados e são afastados pela vulgaridade e pela falta de educação ou civismo.

Experiência face à diversidade: viveram tempos em que a segregação étnica e o preconceito eram “normais”

Informação sobre o desempenho: a sua visão sobre a informação de desempenho é a de que “não ter notícias, é uma boa notícia”

Objectivos de carreira: quando entraram no mercado de trabalho a perspectiva era a de segurança no emprego e um emprego para a vida.

Conselhos
Devemos mostrar respeito e deferência para com esta geração, não só pela sua experiência mas também pelo trabalho que realizaram.

Devemos ouvir atentamente esta geração, pela sua sabedoria e conhecimentos em diversas áreas que experienciaram.

Necessitam de algum reforço positivo, mas sem exageros, já que se trata de uma geração orientada para o grupo e para o “nós”.

A não esquecer
Esta geração tem fantásticas competências de comunicação interpessoal, que lhes permitem compreender e agradar aos outros. O conhecimento acumulado permite-lhes parar para pensar e tomar decisões ponderadas. Têm uma abordagem descontraída aos problemas, que lhes permite analisar o contexto global sob as diferentes perspectivas.

A Geração do Pós-Guerra
Esta geração entrou no mercado de trabalho aos milhares, criando uma geração competitiva com características muito próprias.

Pontos fortes: são indivíduos muito competitivos dispostos a vencer em nome da equipa, independentemente dos sacrifícios envolvidos.

Atitude geral: atitude positiva, sempre à procura do sucesso.

Atitude perante a Autoridade: têm uma relação de amor/ódio face à autoridade. A sua visão quase obsessiva de viciados no trabalho pode fazer com que fiquem ressentidos com superiores que não reconheçam devidamente os seus esforços, bem como com colegas ou subordinados que não se empenhem tanto como eles próprios.

Estilo de Liderança: as palavras de ordem são liderança participada e consenso na equipa.

O que os desmotiva: tendem a ficar desmotivados pelo preconceito e estreiteza de vistas, a que alguns chamam politicamente incorrecto.

Experiência face à diversidade: assumem um activismo decorrente dos movimentos a favor dos direitos civis que foi típico da sua época.

Informação sobre o desempenho: acreditam numa avaliação do desempenho bem efectuada e periódica, com base em objectivos mensuráveis e claramente formulados.

Objectivos de carreira: reconhecimento, posição e estatuto social, procuram a melhoria das condições de vida.

Conselhos
Reconhecer devidamente o tempo que esta geração de viciados no trabalho investe nas actividades e projectos.

Premiar da melhor forma possível as suas vitórias, sucessos e contributos.

Usar uma linguagem optimista, salientando os objectivos e resultados positivos.

Ser sucinto. Esta geração tem diversos afazeres que lhes dominam a atenção e monopolizam o seu tempo: pais idosos de quem tomam conta, filhos ou netos que requerem a sua atenção e um emprego a manter.

A não esquecer

Esta geração tem conhecimentos alargados e profundos sobre uma série de campos do saber e factos da vida que já experienciaram. São membros com um forte sentido ético que lutam para atingir os objectivos trabalhando incansavelmente. 

A Geração X
Esta geração cresceu ao sabor do fracasso das instituições fundacionais da identidade nacional e do início da revolução digital, com claros reflexos sobre o seu sistema de valores e forma de encarar qualquer tipo de trabalho.

Pontos fortes: filhos de viciados no trabalho, esta geração aprendeu a defender-se e a provar o seu valor desde muito cedo, adaptando-se rapidamente a novas situação e tirando o máximo proveito da tecnologia disponível.

Atitude geral: cepticismo, pessimismo e necessidade de “ver para crer”.

Atitude perante a Autoridade: esta geração não se deixa intimidar ou impressionar pela autoridade.

Estilo de Liderança: preferem uma abordagem à liderança baseada nas competências e provas dadas, e que seja clara e directa.

O que os desmotiva: não se deixam levar por exageros e clichés.

Experiência face à diversidade: integração plena e igualdade de direitos é tudo o que esta geração conheceu e não aceitará nada menos do que isso.

Informação sobre o desempenho: preparem-se para dar e receber informação sobre o desempenho honesta e directa a qualquer momento.

Objectivos de carreira: acreditam que o valor se baseia no conhecimento adquirido e que o sucesso é um activo precioso que está nas suas mãos obter.

Conselhos
Esta geração céptica precisa de provas da credibilidade de qualquer projecto ou actividade, por isso é necessário estar pronto para dar provas do sucesso.
Apresentar os objectivos a curto prazo; os planos e actividades devem ser apresentados com um prazo máximo de 6 meses a 3 anos.
Tempo é dinheiro para esta geração, se trabalharam até tarde num dia esperam poder chegar tarde no dia seguinte, se trabalharam num projecto ou actividade poderão não querer participar na seguinte. Não abusar da sua boa vontade.
Nunca esquecer que a Geração X dispõe de vários espaços onde afirma a sua identidade: ginásio, emprego, colectividades, etc...
São pessimistas por natureza, pelo que é preciso prever planos de contingência e substituição para qualquer projecto ou actividade.
Ser específico, nada ambíguo quanto ao que se espera deles e dos contributos que podem dar.
Acreditam que o seu valor se baseia no conhecimento adquirido e no desenvolvimento pessoal, se não encontrarem possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento contínuo é natural que se desmotivem e saiam da organização.

A não esquecer
Esta geração empenha-se em projectos de sucesso, em tarefas claras e concisas que lhes são atribuídas e que realizam com êxito. Assumem claramente a responsabilidade e a lealdade necessárias para levar um projecto ou actividade a bom termo.


A Geração do Milénio
Esta geração de adolescentes-adultos que foi protegida à exaustão pelos pais, tem uma visão optimista do futuro e objectivos nobres, mas sente dificuldades em centrar os seus esforços.

Pontos fortes: são capazes de ser polivalentes e executar diversas tarefas ao mesmo tempo, as suas competências tecnológicas são quase inatas devido ao contacto com a internet e todas as outras ferramentas de comunicação.

Atitude geral: atitude optimista e altas expectativas.

Atitude perante a Autoridade: estão habituados a ser monitorizados e vigiados (pais, professores, treinadores), pelo que assumem uma postura de educação e deferência perante a autoridade.

Estilo de Liderança: têm um estilo de liderança inclusivo e são avessos aos conflitos. Estão habituados a que lhes seja comunicada a decisão a tomar, em vez de lhes perguntarem.

O que os desmotiva: são uma geração habituada a gratificação imediata e não toleram a espera ou os atrasos.

Experiência face à diversidade: assistem a um realinhamento das maiorias raciais.

Informação sobre o desempenho: aceitam e necessitam de informação e orientação constante sobre o seu desempenho para atingir os objectivos.

Objectivos de carreira: devido à sua capacidade de realizar várias actividades em simultâneo encaram com naturalidade a possibilidade de agir em várias vertentes.

Conselhos
A Geração do Milénio precisa de gratificação imediata e constante, devemos mantê-los ocupados e permanentemente actualizados sobre o seu progresso.
As tarefas e planos devem restringir-se ao imediato, com um fluxo constante de informação concisa e clara que os ajude a concentrar no essencial.
Necessitam de ajuda para estabelecer prioridades e começar a trabalhar.
Ser directo, sem qualquer ambiguidade relativamente aos prazos ou fases de execução dos projectos e actividades.
Evitar discursos do tipo “no meu tempo”, “quando tinha a tua idade”.

A não esquecer
São uma geração cheia de entusiasmo que traz uma perspectiva fresca e uma abordagem emotiva a tudo o que fazem. São viciados na aprendizagem e têm um domínio quase absoluto dos campos da informática e tecnologia, que sempre existiu nas suas vidas e cujos conhecimentos gostam de partilhar e ensinar aos outros.

(Continua)

ESCOTEIROS DE PORTUGAL Reunidos em Conferência Nacional

Com a presença de 280 dirigentes, em representação de quase todas as unidades escotistas do País, decorreu nos dias 17 e 18 de Maio, na Figueira da Foz, a 53ª Conferência Nacional da AEP.
A Fraternal esteve, como lhe compete, representada por dois elementos da Direcção, o Presidente Rui Macedo e o Secretário Nacional Mariano Garcia, que proferiram uma alocução, da qual se reproduz o seu trecho final:
 - “A educação pelo Escotismo é uma proposta que procura exercer influência no cidadão para agir, por si, em favor do próprio e ao serviço da sociedade, considerando que:
a) Como individuo, deve contribuir para o desenvolvimento de todas as suas capacidades, em todas as áreas do desenvolvimento - física, intelectual, emocional, social e espiritual.
b) Como membro de uma sociedade, deve contribuir para o desenvolvimento de uma consciência social colec-tiva e ter preocupação com os outros, do sentido de pertença a uma comunidade e à sua história e evolução.
Estas duas dimensões não podem ser dissociadas, uma vez que não há educação sem uma procura do pleno desenvolvimento do potencial duma pessoa, e não há educação sem a aprendizagem da vida com outros, enquanto membros da comunidade local, nacional ou internacional” .
A vossa missão é, ninguém pode duvidar disso, trabalhar para que os vossos escoteiros venham a ser adultos autónomos, solidários, responsáveis e empenhados.
A nossa será a de ajudá-los a manter sempre bem vivo o espírito escotista, a diligenciar que trabalhem em prol das comunidades e a dar suporte activo ao Escotismo.


terça-feira, 31 de março de 2015

FERRAMENTAS PARA O RECRUTAMENTO DE ADULTOS (Parte II)

Texto de apoio elaborado por Sara Milreu, relativo ao módulo “Ferramentas para o Recrutamento de Adultos” integrado na 1.ª acção de formação da AEG-Portugal.

(adaptado do "Generational diversity in the BSA workplace", dos Boy Scouts of América)

Compreender as Gerações
Para compreender as diferenças geracionais e de atitudes dos Veteranos, Geração do Pós-Guerra, Geração X e Geração do Milénio é necessário ter em conta o contexto e as experiências com base nas quais se desenvolveram as suas atitudes e sistemas de valores. À medida que vão crescendo os membros de cada nova geração sentem-se impelidos a distinguir-se da geração anterior, demonstrando esta revolta no tipo de roupas que vestem, no comprimento dos cabelos, no tipo de linguagem, nos heróis que criam e admiram.

À medida que se aproximam da idade adulta e entram na sociedade em geral, os sinais exteriores de revolta tendem a esbater-se. O que fica são as convicções e sistemas mais profundos de valores que são demasiado importantes para pôr em causa. Vejamos quais são as convicções e aquilo que cada geração valoriza.

Compreender os Veteranos
Esta geração, nascida antes de 1946, foi influenciada em grande medida por dois grandes eventos: a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. As suas crenças e sistema de valores foram construídos no seio de tempos difíceis, quando o país enfrentava muitas contrariedades.

As principais características dos Veteranos incluem:

 Dever, Honra, Patriotismo, Lealdade, Sacrifício.

Os Veteranos acreditam firmemente no dever, honra e patriotismo. Tendem a admirar e respeitar as forças armadas, valorizam a capacidade de sacrifício pessoal e dedicação.

Conformistas: Primeiro “Nós” o Grupo vs. o “Eu” Individual

Os efeitos da Segunda Grande Guerra foram ultrapassados à custa de grandes esforços conjuntos por parte desta geração. Esta experiência ensinou-lhes a valorizar o bem-estar do grupo antes do indivíduo. Eles gostam de se integrar, de se conformar com as normas da sociedade, querem ser um entre iguais, no sentido de que fazem parte integrante do grupo. Os seus ídolos não são indivíduos, mas sim um grupo: a marinha, o exército, o país.
Pacientes; trabalhadores; obedientes
Esta geração emergiu das atribulações da Grande Depressão para as dificuldades da guerra, a que se seguiu um período de enorme prosperidade. Em resultado disto, os Veteranos acreditam no valor do trabalho árduo, do esforço e da atenção ao pormenor. Acreditam que quem persevera, se empenha e cumpre as regras será recompensado no devido tempo e que a idade lhes dá prerrogativas de “antiguidade”.

Os filmes da época demonstram claramente esta capacidade de sacrifício individual para o bem-estar geral do grupo, da sociedade.

Compreender a Geração do Pós-Guerra
Nascidos entre 1945 e 1965, muitos elementos desta geração cresceram na relativa prosperidade dos anos 50 e 60. O seu nível de educação foi mais alto do que o das gerações anteriores e conquistaram a liberdade de se aventurar pelos caminhos do idealismo, com o exemplo paradigmático do movimento hippy dos anos 60. No entanto, este idealismo depressa teve de se transformar em realismo, com a guerra do Vietname, o escândalo de Watergate e as tensões de milhares de pessoas a afluir ao mercado de trabalho.

Definem-se pela sua profissão – Viciados em trabalho

Mais do que qualquer geração antes ou depois dela, os Geração do Pós-Guerra definem-se pela sua profissão. O seu trabalho identifica-os. O termo “viciado em trabalho” surgiu nos anos 70 para descrever o comportamento desta geração, que acreditava que quanto mais trabalhassem, maior o seu valor. A semana de trabalho média entre os membros desta geração continua a ser de 55 horas. São o grupo com maior influência no mercado de trabalho e continuarão a manter esta posição nas próximas 2 décadas.

Competitividade; Trabalho em Equipa; Sucesso Visível

Os Geração do Pós-Guerra constituem uma geração extremamente competitiva e gostam de mostrar os seus sucessos através de troféus, diplomas e placas. Também acreditam no valor do trabalho em equipa, porque isso faz deles uns vencedores, e é por isso que são bons a estabelecer relacionamentos.

Heróis e Valores Partilhados

Ao contrário dos Veteranos, cujos heróis eram um grupo ou ideal, os heróis desta geração são indivíduos fora do comum que reflectem o seu sistema de valores, como Martin Luther King, John F. Kennedy ou Nelson Mandela. São arrastados para causas com significado através da liderança de indivíduos carismáticos.

Compreender a Geração X
Composta por pessoas que nasceram entre 1965 e 1980, foram criados na altura em que a maior parte das instituições da sociedade começava a falhar – a demissão de Nixon, o fim da guerra do Vietname, o aumento da taxa de divórcios, escândalos ligados ao crédito e à corrupção, entre muitos outros.

Independentes, cépticos – “Ver para crer!”

Aos olhos da Geração X, muitas instituições em que os pais confiavam – governo, Igreja, empresas – não estiveram à altura dessa confiança desmedida. Em resultado disso, esta geração aprendeu a ser inerentemente batalhadora e céptica, que não se impressiona com o imediatamente visível, daí a sua visão do mundo assente na apresentação de provas, no “ver para crer!”

Independentes; os pais como amigos; não se deixam intimidar pela autoridade

Com a maioria dos seus pais viciados no trabalho ausentes por longas horas, a Geração X desenvolveu uma enorme capacidade de auto-suficiência e independência, de se defenderem sozinhos. Consequentemente, a Geração X é o primeiro grupo a ser criado encarando os pais como seus “amigos”. Esta auto-suficiência e relacionamento com os seus pais como se estes fossem seus “iguais” faz com que raramente se deixem intimidar pelas figuras de autoridade.

Sem Heróis Partilhados; Só pessoas conhecidas

Os heróis desta geração não são os grandes ícones sobre-humanos que os pais admiravam. Os heróis da Geração X tendem a ser as pessoas que eles conhecem – pais, avós, treinadores, professores, mentores. São pessoas que lhes provaram directamente o seu valor, apenas 5% da geração X tem por heróis pessoas que nunca conheceu.

Valores diferentes dos pais; Carpe Diem

Apesar de os pais poderem ser os seus heróis, a Geração X não partilha do sistema de valores que estes têm. Não têm uma abordagem de “cumprir as regras e receber a recompensa a seu tempo”. São demasiado cépticos e auto-suficientes para isso. Como não acreditam que podem confiar no futuro, centram-se mais no curto prazo. Acreditam que mais vale Carpe Diem – aproveitar o momento – e querem controlar todo o trabalho que desenvolvem, o objectivo desse trabalho e escolher com quem querem trabalhar. Se não ficarem satisfeitos, vão para outro lado.

Alta literacia tecnológica; Flexíveis

Enquanto a Geração X crescia, deu-se a entrada dos computadores pessoais e tecnologias relacionadas nos lares, escolas e locais de trabalho. Muitos deles são os mais aptos e mais “amigos” da tecnologia entre nós. Adaptam-se facilmente à mudança devido à sua flexibilidade e compreendem rapidamente as novas aplicações tecnológicas e suas aplicações.

Compreender a Geração do Milénio
 Nascida entre 1980 e 2000, a Geração do Milénio sempre dispôs de tecnologia nas suas vidas. Os membros desta Geração começam agora a entrar nas nossas Associações, onde se deparam com elementos da Geração X e da Geração do Pós-Guerra, mas o seu sistema de valores é muito diferente.

Domínio tecnológico

Os membros da Geração X apresentavam uma alta literacia tecnológica, mas os da Geração do Milénio dominam-na completamente. Para eles, enviar uma mensagem de texto pelo telefone, ou navegar na internet são tão naturais e intuitivos como comer ou dormir e é difícil encontrar alguém desta geração que não esteja “agarrado” a qualquer tipo de dispositivo digital, seja a comunicar ou simplesmente a jogar.

Optimistas; Com altas expectativas

A Geração do Milénio é bastante optimista e tem expectativas muito altas. Foram cuidados, amados e protegidos de tudo pelos pais, muito mais do que qualquer geração anterior. O desenvolvimento da sua auto-estima sempre foi uma prioridade para todos os que os rodeavam. Os pais criaram-nos como “amigos” e esforçaram-se imensamente para os convencer de que conseguirão obter tudo o que desejarem.

Individualistas; Mais um na Matilha

Estes jovens orgulham-se de ser únicos e altamente individualistas. Não obstante, têm tendência para ser “mais um na matilha”, em pequenos grupos com uma mistura ecléctica de culturas, etnias e interesses. A Geração do Milénio é, em grande medida, composta por cidadãos do mundo, devido às oportunidades que o esforço dos pais lhes abriu.

Polivalentes; Centrados no Curto Prazo; Precisam de estímulos frequentes

Tendo crescido com horários cheios de actividades extra-curriculares, aulas de música, treinos desportivos, etc., aprenderam a ser polivalentes e a executar várias tarefas ao mesmo tempo, adaptando-se rapidamente à mudança, seja ela de ambiente, de contexto, ou mesmo de espaço. Tendem a centrar-se no curto prazo e necessitam de um alto nível de motivação e estímulos frequentes para manterem o interesse e concentração nas actividades que realizam. A velocidade a que vive esta Geração está bem patente nos vídeos e anúncios televisivos destinados a esta faixa etária.

Avessos à idade adulta

Tal como os elementos da Geração X, a Geração do Milénio tende a admirar e permanecer muito ligada aos pais e avós. Na realidade estão a alargar o hiato entre a adolescência e a idade adulta, mais do que qualquer das gerações anteriores. Cerca de 50% dos elementos da geração Milénio vivem com os pais até terminarem os estudos, e completam-nos cada vez mais tarde. Isto não significa que não sejam ambiciosos, mas têm alguma dificuldade em fazer planos a longo prazo que lhes permitam concretizar essa ambição. Esta geração tende a viver um dia de cada vez, sem grandes considerações sobre o que o futuro lhes reserva.


(Continua)

FERRAMENTAS PARA O RECRUTAMENTO DE ADULTOS (Parte I)


(adaptado do "Generational diversity in the BSA workplace", dos Boy Scouts of América)

Recrutamento: o que é e para que serve?
«Recrutar é o acto de IDENTIFICAR grupos e indivíduos para um serviço e de facto CONVIDÁ-LOS a voluntariarem-se»
Susan Ellis, The Volunteer Recruitment Book

Porque recrutamos:
Para melhor distribuirmos o trabalho voluntário, sem demasiada sobrecarga;
Para nos mantermos “vivos” e com novas ideias;
Para garantir o trabalho que é necessário fazer
Para poder crescer
Porque estamos a perder voluntários

As Etapas do Recrutamento:
O processo de recrutamento é dividido em 3 etapas, a saber:
1. Levantamento das Necessidades.
2. Recrutamento.
3. Integração.

Independentemente da técnica de recrutamento, devemos:
Garantir que temos trabalho para os voluntários que estamos a recrutar
Conceber uma mensagem para que se apele ao perfil “certo” que se deseja
Incluir os benefícios para o voluntário
Ser claro relativamente às expectativas e tempo de compromisso
Descrever o Movimento e a sua missão
Referir o suporte e a formação que serão disponibilizados

Diversidade Geracional

Trabalhar com as diferentes gerações
Nunca como antes, devido ao aumento da esperança média de vida e à forma como o envelhecimento activo é encarado, as nossas associações contaram com esta “mistura” de gerações.
Tal diversidade pode dar-nos maior riqueza e produtividade, mas para tal é necessário compreender claramente as características de cada uma e a forma como cada geração é “única”.
Neste sentido, e apesar de a pertença a uma determinada geração ter um impacto significativosobre a forma como cada um de nós vê o mundo, cada indivíduo teve um conjunto muito próprio de experiência, valores e crenças que pode introduzir algumas alterações a estes conceitos generalizados.
Assim, e como sempre no nosso Movimento, é im-portante conhecer e respeitar a individualidade de cada um dos nossos elementos, nas mais variadas circunstâncias.

Por que é importante conhecer e reconhecer a diversidade geracional nas nossas Associações [Fraternal, AAG e FNA]?
Conhecer e reconhecer a diversidade geracional pode ser um diferenciador estratégico, na medida em que nos permite adequar a nossa comunicação a cada uma das gerações e melhorar a eficácia das nossas interacções.
Conhecer as características dos outros grupos geracionais também aumenta o respeito e o apreço de todos pelas diferenças e pelo que os outros têm para oferecer às nossas associações.
Conhecer a diversidade geracional ajuda-nos a compreender:
1) que houve diversos fenómenos que deram origem ao sistema de valores, aspirações, atitudes e expec-tativas das diferentes gerações
2) que as diferentes gerações têm diferentes modos de ver o mundo, diferentes objectivos de desenvolvi-mento pessoal, diferentes formas de se expressar e envolver
3) que é necessário ter uma abordagem diferenciada para motivar as diferentes gerações.

As quatro principais gerações
Existem quatro gerações distintas nas nossas Asso-ciações. Apesar de os peritos discordarem em ter-mos das datas específicas e nos nomes atribuídos a cada grupo, as quatro gerações são habitualmente definidas como Veteranos, Geração do Pós-Guerra, Geração X e Geração do Milénio.

Os veteranos (ou tradicionalistas): nascidos antes de 1945.

Esta geração inclui as pessoas nascidas antes de 1945, sendo por vezes denominada também de Maduros ou Geração Silenciosa. Os eventos que marcaram a sua formação incluem a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Muitos dos seus valores e comportamentos baseiam-se no impacto que estes eventos tiveram nas suas vidas e experiências. Alguns exemplos de pessoas desta geração são Bill Cosby, Ronald Reagan, Rui Nabeiro, Ruy de Carvalho.
Esta geração representa apenas cerca de 5% da população activa, mas são os mais ricos.
Muitos dos homens desta geração entraram no mercado de trabalho depois de terem servido no exérci-to e/ou como aprendizes e em funções menores, subindo depois a pulso, e esperavam manter-se na mesma empresa durante toda a sua vida activa.
Para os Veteranos, o patriotismo e a fidelidade à empresa em que trabalhavam era algo inerente. O mercado de trabalho era dominado por homens e a maior parte das mulheres eram donas de casa e tratavam dos filhos. Estes padrões vieram a sofrer enormes alterações.

A geração do pós-guerra: nascidos entre 1945 e 1964.
Os eventos que marcaram a formação desta geração incluem o Movimento pelos Direitos Civis, a Guerra do Vietname, a Guerra Colonial, o assassinato de John F. Kennedy, Robert Kennedy e Martin Luther King e a Guerra Fria. Nesta geração temos pessoas tão notáveis como Robin Williams, Bill Gates, Oprah Winfrey, Paulo de Carvalho.
Esta é a geração que controla habitualmente o mer-cado de trabalho. Estão à frente dos nossos gover-nos nacionais e autarquias, são os patrões, directores e presidentes das maiores empresas e são o grupo dominante em termos de população activa.
O termo “viciado em trabalho” foi criado para descrever esta geração. Entraram para o mercado de trabalho quando a fidelidade à empresa ainda era o mais importante, mas viram este valor ser alterado através de despedimentos colectivos, fusões e aquisições e muitos começam a questionar-se se valeu a pena tanto empenho no trabalho, à medida que se aproximam da idade da reforma.

Geração X: nascidos entre 1965 e 1980
Os eventos que marcaram a formação dos membros da Geração X incluem o escândalo de Watergate, o desastre da nave Challenger, a Guerra do Golfo, o advento dos computadores e o crescimento exponencial da taxa de divórcio dos seus pais. Quando pensamos nesta geração vêm-nos à mente exemplos como Tiger Woods, Jennifer Aniston, Fernanda Serrano, Rui Unas.

À medida que foram crescendo, os membros desta geração foram sendo descritos como “preguiçosos”, desmotivados, sem aspirações e irreverentes. Também foram a primeira geração a ouvir que jamais seriam tão bem sucedidos como os seus pais.
Por outro lado, foram também os que ficaram mais desiludidos quando descobriram que todas as insti-tuições que lhes diziam “Podes confiar em nós” – o governo, a Igreja, as forças armadas, o casamento, as grandes empresas – os deixavam ficar mal. Devido a isto a sua atitude geral é a de “Ver para Crer”.
Os membros mais velhos desta geração começam a assumir papéis de liderança e de direcção em muitas organizações e a sua facilidade com as novas tecnologias muito tem contribuído para acelerar o processo.

A Geração do Milénio: Nascidos entre 1981 e 2000

Os eventos que marcaram a formação desta geração incluem os ataques bombistas na cidade de Oklaho-ma e o ataque terrorista de 11 de Setembro, o advento da Internet e das redes sociais e a Guerra no Iraque. Alguns famosos desta geração são: Justin Timberlake, Rita Pereira, Cristiano Ronaldo.
Os membros da Geração do Milénio cresceram num mundo inundado de tecnologia: telemóveis, computadores portáteis, internet sem fios, iPods, engenharia genética, inteligência artificial. Viveram a maior parte da sua vida à sombra de uma economia prospera e sempre foram protegidos e apaparicados pelos seus pais da Geração X, apesar de já terem estado expostos às ameaças do terrorismo e da violência.
Esta geração está a entrar num mercado de trabalho difícil e cheio de concorrência, onde apenas os melhores prosperam. São uma geração com altos conhecimentos tecnológicos, ambiciosos, e autoconfiantes, com uma visão diferente do sucesso.

(Continua)