Com
apresentação da companheira Luísa Ferreira, a Sessão teve início com uma breve
introdução do Vice-presidente da Fraternal, Mariano Garcia, que deu as boas
vindas às Entidades, aos dirigentes, aos companheiros e ao numeroso público,
apresentando a Fraternal e as suas preocupações perante a sociedade, que se
propõe servir, e explicou o porquê da cerimónia que se ia seguir.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Em Odivelas, nasceu um núcleo da Fraternal
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
A validade pedagógica de um MUSEU e de um Centro de Documentação dos Escoteiros de Portugal.
Está a perfazer dois anos, que a Fraternal
apresentou ao Conselho Permanente da AEP uma proposta para que aquele Órgão
associativo, recomendasse à Chefia Nacional “a criação de um protocolo com a Fraternal, confiando a esta, a
organização de um grupo de trabalho, com a missão específica de recolher e
promover dádivas de espólios de escoteiros e grupos, proceder ao seu
tratamento e catalogação, tendo em vista a futura criação de um Museu
Escotista, bem como um Álbum digital de documentos e fotografias do passado
escotista”.
Como é do conhecimento geral, a proposta
foi aprovada, tendo-se seguido a elaboração do citado Protocolo e a tomada de
posse, em 21/11/2015, do Grupo de Trabalho (Equipa Instaladora) encarregado da
organização e do funcionamento dos diversos serviços e tarefas, que permitam
alcançar os objectivos gerais do projecto, equipa essa que começou
imediatamente a trabalhar, mas cuja acção se tem mostrado lenta e difícil,
perante certa apatia do mundo associativo.
O futuro museu da AEP, além do património histórico que vier a possuir, será um centro de aprendizagem, onde todos poderão interagir, rumando em paralelo a um interesse comum, o saber. Deve-se constituir como espaço diferenciado, como local privilegiado de experimentação e de outras formas de sociabilidade, espaço de cidadania, que possibilite o encontro com a história, as técnicas, o saber, um conhecimento novo, uma admiração, uma lembrança, uma emoção, que nos ofereça a possibilidade de observar diferentes práticas. Deverá ser um espaço aberto a todo o público, livre para ser visitado por quaisquer grupos. É isso que se espera que aconteça, o museu como centro de conhecimento, não apenas para escoteiros, mas para todo e qualquer público.
É assim oportuno, chamar a atenção de todos
para a importância de tal projecto e referir a validade pedagógica da
existência de um Museu e de um Centro de Documentação dos Escoteiros de
Portugal, assunto que está muito para além dos considerandos referidos na
proposta levada ao Conselho Permanente, que foram:
“Considerando a riqueza histórica da Associação dos Escoteiros de
Portugal;
Considerando
que para projectar o futuro não se pode ignorar o passado;
Considerando
que é consensual a grande importância e a riqueza patrimonial que representa
para uma instituição como a AEP a existência de um Centro de Documentação e
Interpretação, dedicado à recolha e tratamento de um acervo que testemunhe o
seu passado histórico e os seus Valores”.
Os Escoteiros de Portugal são uma
associação educativa para jovens. Enquadram-se
nas suas actividades e no método de educação não formal que utiliza, a
protecção e o contacto com a natureza, a educação ambiental, a intervenção
social, a cooperação para o desenvolvimento, a promoção para o voluntariado
social, a formação cívica e o culto da paz, da cultura, do desporto, da vida
saudável e a formação para uma cidadania responsável.
Ora um museu é, por
definição, uma instituição permanente, ao serviço da sociedade e do seu
desenvolvimento. É por excelência, um espaço pedagógico e de divulgação do
conhecimento. É também um espaço de prazer, de descoberta, de gosto pelo saber,
de aprendizagem não-formal e convida à pesquisa, tal como a educação escotista.
É acima de tudo um espaço cultural, e neste caso concreto, o local onde se
expõem os testemunhos materiais da Associação, a sua história e a de um Movimento,
que reflecte os seus valores e princípios.
De acordo com as Bases do Projecto, o museu (e o
Centro de Documentação a ele ligado, ou melhor, nele integrado) "extravasa a
ideia de ser um mero local para acumular e expor objectos, para assumir um
papel importante na interpretação das actividades e do método de educação usado
no Movimento, no fortalecimento da cidadania e da consciência ecológica, do respeito pelas
diferenças culturais e étnicas, assim como no incremento da qualidade de vida,
dando a conhecer também a história do Escotismo no mundo e a história da
Associação dos Escoteiros de Portugal, em particular".
A educação não pode estar
separada da cultura, que é aquilo que ampara, dá forma e conteúdo à educação. A
educação e a cultura são práticas indissociáveis, estão extremamente
interligadas no processo ensino-aprendizagem.
O museu pode e deve estar
ao serviço do educador escotista. É um bom instrumento para apoiar pesquisas e
iniciar estudos e contribuir para o que deve ser o mais importante no
trabalho do dirigente – fazer o escoteiro aprender a pensar. Tal como se
escolhe um livro ou um capítulo dele para apoio de uma matéria, também o museu
pode ser uma escolha para iniciar um assunto, complementar uma actividade, ou
até mesmo ajudar a provocar uma discussão.
A educação deve promover a
observação atenta e o pensamento crítico, criativo e dinâmico.
Refere a OMME que “a educação Escotista vai
muito para além da educação formal (a educação escolar), tanto em alcance como
em duração”, e explícita:
“A
educação é um processo contínuo de desenvolvimento que não tem lugar apenas
durante os anos de formação (infância e adolescência). Continua ao longo da
vida”.
A educação pelo Escotismo, é uma proposta que
procura exercer influência no cidadão para agir, por si, em favor do próprio e
ao serviço da sociedade, considerando que:
“Como individuo, deve contribuir para o aperfeiçoamento de
todas as suas capacidades e em todas as áreas de desenvolvimento - física,
intelectual, emocional, social e espiritual.
Como membro de uma
sociedade,
deve contribuir para o desenvolvimento de uma consciência e preocupação com os
outros, do sentido de pertença a uma comunidade e à sua história e evolução.
Estas duas dimensões não podem ser
dissociadas, uma vez que não há “educação” sem uma procura do pleno
desenvolvimento do potencial duma pessoa, e não há “educação” sem a
aprendizagem da vida com os outros, enquanto membro das comunidades local,
nacional e internacional”.
Educação e cultura devem,
assim, seguir sempre em paralelo. A educação deve ter o património e o conhecimento
do passado como referencial, considerando-o suporte fundamental para aplicar
na acção educativa. Um museu está carregado de diversidade, é o resultado de
uma relação em que a história e o património são construídos e reconstruídos
em cada momento pela acção do homem.
A educação através da
visita aos museus possui um importante foco de interesse na actualidade, tanto
no que diz respeito ao seu papel social, quanto no que se refere às práticas
realizadas nesse espaço e suas possíveis reflexões.
O museu é um espaço
propício para a interacção entre escoteiros, dirigentes, e outros adultos e
fontes diversificadas de aprendizagem porque o papel dos museus é mesmo este:
informar, actualizar, conhecer, estudar e investigar. Um museu ajuda a
compreender os legados do passado e a dar exemplos para as novas gerações.
Artigo compilado por Rui H. Macedo
MENSAGEM da FRATERNAL à 55.ª CONFERÊNCIA NACIONAL da AEP
Prezados
Companheiros
A Fraternal Escotista de Portugal pretende, em primeiro lugar, saudar
todos os presentes e desejar que esta Conferência decorra dentro do melhor
espírito escotista. Que o tempo e o contributo aqui aplicados por todos vós
seja um valioso investimento em favor da valorização e prestígio dos Escoteiros
de Portugal.
Aproveitando a oportunidade que nos foi concedida pela decisão da vossa
Conferência Nacional de 2001, tornada uma tradição dos últimos anos,
gostaríamos de oferecer a nossa contribuição, ainda que de modestos
observadores, para uma reflexão sobre os valores do nosso Movimento e a acção
das nossas associações.
Como associação autónoma, ligada à Fraternidade Internacional dos
Escoteiros e Guias Adultos, da qual foi fundadora em 1953, a Fraternal tem a
mesma Missão e preocupações desta
associação internacional…
Não precisamos de demonstrar o apoio prestado aos jovens
nem os serviços desempenhados em prol da comunidade pela Fraternal, pois são
por demais conhecidos. Vale talvez a pena recordar algo mais sobre o
crescimento pessoal na idade adulta. B-P tinha profunda consciência de que a
formação do individuo nunca está completa: vejamos uma das suas citações mais
interessantes: “Muitos jovens de vinte e dois anos acham que já sabem tudo e
dizem a todos que assim é. Quando chegam aos trinta e dois descobrem que afinal
ainda há algumas coisas a aprender; aos qua-renta e dois aprendem coisas novas
todos os dias. Eu ainda o faço aos setenta e três.
É claro que
Baden-Powell não pensava que o Movimento Escotista se destinava apenas aos
jovens. Relembrando os seus “slogans” mais conhecidos, “Uma vez Escoteiro,
sempre Escoteiro” ou “O Escotismo é para pessoas dos 8 aos 80 anos” e muitos
dos seus escritos, podemos aperceber-nos de que os princípios e valores do
Escotismo, incluindo os famosos pontos do método
Escotista, mantêm a sua validade e significado na vida adulta.
Na realidade, no
início, ele concebeu o seu método ao publicar o livro com o título Aids to Scoutin for N.C.O. and Men, destinado aos
batedores (scouts) militares, ou seja adultos, e só mais tarde
descobriu que este método também podia ser utilizado com os jovens.
E foi o Fundador,
que escreveu em Julho de 1937, trinta anos depois da implementação do
Movimento, diversas páginas sobre o papel dos Escoteiros e Guias adultos, na
sociedade, referindo: “Muitos milhões dos
que foram Escoteiros e Guias na sua juventude formam nos diferentes paí-ses um
fermento de homens e mulheres que ultrapassam as divergências insignificantes e
as ofensas antigas, para contemplar um futuro de felicidade e prosperidade para
to-dos, através da amizade mútua e de sentimentos de fraternidade. Temos aqui
o embrião de um exército ou força de intervenção para a paz, perante o qual os
exércitos da guerra serão forçados a render-se, mais tarde ou mais cedo”
Ao aderir à
Fraternal (ou a outra associação congénere), um adulto que acredita no
Escotismo, não se contenta apenas em viver de acordo com os ideais do
Movimento, pretende também participar na nobre missão de espalhar os ideais
Escotistas em sua volta.
Todos nos recordamos da
parte final da “última mensagem de B-P aos Escoteiros”, em que ele refere aos
jovens: “mantenham-se sempre fiéis ao vosso Compromisso de
Honra, mesmo quando deixarem de ser rapazes, e que Deus vos ajude a consegui-lo”.
A Fraternal é uma associação de adultos,
onde quem a íntegra, põe em prática os ideais do Escotismo, com a finalidade
de prestar serviços à comunidade, como parte do desenvolvimento pessoal de
cada um, como adulto responsável, solidário, empenhado e autónomo. Como membro de uma sociedade, deve contribuir para o desenvolvimento de uma
consciência de solidariedade social e de sentido de pertença à comunidade, à
sua história e à sua evolução.
Através da
Fraternal, o escoteiro adulto leva à
sociedade toda a sua experiência e conhecimentos adquiridos ao longo da sua
vida.
Para isso, a Fraternal tem um programa específico
que passa por um conjunto de Áreas de Trabalho
(coincidentes com as áreas de desenvolvimento, como indivíduo e como membro de
uma sociedade), a saber: desenvolvimento físico, desenvolvimento social, desenvolvimento intelectual e desenvolvimento espiritual.
Como se pode constatar o apoio ao Movimento
juvenil, - não como dirigentes, mas como integrantes de equipas de apoio e
divulgação do Escotismo, é apenas uma parcela do nosso campo de acção.
Mas foquemo-nos
naquilo que respeita ao apoio e divulgação do Escotismo:
Nesse sentido e
reconhecendo a falta gritante de recursos humanos - que não permite ter a
atenção devida para algumas tarefas complementares, que consideramos essenciais
para o conhecimento e a divulgação do Escotismo em geral e da AEP em
particular, propusemo-nos encetar algumas dessas tarefas… (conforme oportunamente
divulgado). Também não deixamos de, sempre que possível, apoiar as actividades
escotistas, desde que nos seja solicitado pelos seus dirigentes, e sempre em
colaboração com estes. Só assim o faremos.
O Serviço à
comunidade onde estamos inseridos, em especial nas áreas onde temos núcleos
implantados, constitui a demonstração resultante da educação escotista, com visibilidade
ainda muito diminuta, infelizmente.
Porém, a afirmação e
empenhamento da Fraternal só pode vir do seu crescimento através da adesão de
novos associados, conscientes da validade do Movimento escotista e essa
adesão, prioritariamente, só poderá conseguir-se pela mobilização de elementos
oriundos da AEP, especialmente aqueles que abandonam aqui a sua actividade,
devido a exigências da sua vida profissional ou familiar e desejam continuar a
cultivar os valores escotistas, ao longo da sua vida e na sociedade.
Nunca o fizemos
antes, porque considerámos que seria necessário demonstrar no concreto a
validade da nossa acção, mas cremos ter chegado a altura para, aqui desta
tribuna, fazermos a todos um apelo directo, para que não deixem, quando
entenderem oportuno, de pertencer á Fraternal, continuando assim a apoiar
directamente o Escotismo e a juventude portuguesa.
Caminhando já para o
final desta intervenção, não pode-mos deixar de referir que para a visibilidade
da razão de ser da educação escotista de milhares de jovens, centro de todo o
vosso trabalho e esforço, é preciso dar continuidade às opções de vida de cada
um, procurando mantê-los ligados ao espírito do Compromisso de Honra uma vez
assumido. Por isso chamamos a vossa especial atenção para a importância decisiva que o Caminheirismo tem no complemento da
educação proporcionada pelo Movimento, assim como a sua importância
determinante na sustentabilidade do próprio Movimento jovem em geral e na
sustentabilidade da AEP em particular, que aconselha um esforço de formação
para se conseguir um Caminheirismo completo, em que a partida do Clã se faça
com os jovens a assumir perante os seus pares o seu projecto de vida adulta,
prosseguindo o
seu crescimento como cidadãos integrados na sociedade, dando testemunho dos
valores escotistas que os formaram para a vida, contribuindo, assim, para a
criação de um mundo melhor.
Teremos, a todo o
custo, de evitar o abandono precoce e descomprometido, que gera adultos que
recordam a sua passagem pelos escoteiros como um mero divertimento, em vez de se assumirem como escoteiros adultos e cidadãos conscientes e
responsáveis dos seus deveres cívicos.
Essa é uma
responsabilidade vossa e nossa e, para tanto, deveremos manter-nos unidos e
colaborantes.
Não queremos terminar
sem saudarmos, o esforço de todos os dirigentes e, em especial, os que se
candidatam aos Órgãos Nacionais, desejando que em cada um de vós desperte a
certeza de que estão trabalhando para uma causa sem paralelo e, sem receios nem
tibiezas, possam, possamos todos, proclamar que o Escotismo é uma escola de
formação de cidadãos úteis e conscientes, ao serviço do próximo e do País,
defensores acérrimos da Natureza e construtores da Paz entre os povos e as
nações.
Com esta postura
deveremos continuar a celebrar, com alegria, o primeiro centenário do Escotismo
e caminhar seguros na construção do segundo.
BOA – CAÇA a todos (Mariano Garcia
- Vice-presidente)
DISCURSO DIRECTO, por Paulo Henriques dos Marques
lembram de ter
passado a
escoteiros
adultos?
A óbvia a utilidade do Caminheirismo para captação de recursos adultos, é determinante
para a sustentabilidade do Movimento jovem, em geral, e para a sustentabilidade
das suas associações, em particular.
No entanto, essa utilidade não pode ser
confundida com a finalidade do Caminheirismo,
que é muito mais impactante na sociedade que apenas a manutenção do próprio
Movimento.
Conforme cada indivíduo e o programa educativo da respetiva associação,
este desenvolvimento deve operar-se em mais ou menos anos – mas sempre ao
longo de alguns anos. Esse percurso formativo está completo quando o(a) caminheiro(a)
está
pronto(a) para partir do Clã. Esta partida pode assumir diferentes contornos.
Independentemente deles, pretende-se que seja o momento em que o(a) caminheiro(a)
assuma perante os seus pares e perante um(a) educador(a) escotista, um projeto
de vida adulta, em que já começou a caminhar, e após a renovação do seu Compromisso
de Honra, que leva para a vida.
Uma vez assumido este passo gigantesco,
está concretizada a finalidade nuclear do Movimento jovem. De cada vez que tal
é conseguido, o Movimento deixa de ter um educando e a comunidade passa a
contar com um escoteiro adulto.
Se fosse possível multiplicar este feito
por todos os que passam pelo Movimento jovem, o impacto benéfico do Escotismo
na Sociedade seria muito maior do que real-mente é – porque todos se lembrariam
que passaram a ser escoteiros adultos.
Mas a realidade é outra. Como constatam educadores escotistas
de qualquer época, poucos escoteiros chegam a iniciar a fase do Caminheirismo. Ainda mais raramente, os
que passam a caminheiro(a) chega a assumir uma partida do clã como um projeto
de vida já iniciado e conscientes do Compromisso de Honra assumi-do. Em vez
disso, o mais vulgar é desligar-se progressivamente do Movimento sem saber bem
como o fazer, nem para passar a ser o quê... Com este abandono descomprometido
antes da meta, é natural que muitos
adultos se recordem apenas de terem andado
nos Escoteiros, em vez de se recordarem que passaram a ser escoteiros adultos.
Esta diferença constitui um “por-maior” que limita muito a extensão do impacto
do nosso Movimento na sociedade.
Portanto, quando se põe em hipótese não investir no Caminheirismo, há que ponderar o risco
de não completar adequadamente a formação escotista de um jovem adulto.
Em síntese, para que a formação escotista fique para toda a vida,
não basta ter sido escoteiro(a) numa fase da vida muito enquadrada pelos pares
e pelo educador escotista, em que se beneficiava de muito apoio e em que os
desafios eram pouco díspares dos seus recursos pessoais.
Se um(a) escoteiro(a) não desenvolver as competências
indispensáveis para se assumir responsável pelo seu próprio desenvolvimento nem
para escolher um caminho para a vida, poderá sentir-se inapto(a) para
empreender os seus interesses, sentir-se comparativamente inferior aos demais,
desmotivar e abandonar o Movimento sem completar a sua finalidade.
Arrisco-me
mesmo a afirmar que será também por causa de abandonar o Movimento antes da
meta, que mui-tos adultos se recordam apenas de terem andado nos Escoteiros, em
vez de se recordarem que passaram a ser escoteiros adultos responsáveis.
Paulo Henriques dos Marques
Insígnia de Madeira de Clã – Gilwell Park –1989)
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Razão de ser do escotismo para adultos
1. A
maioria dos que um dia prestaram o seu Compromisso Escotista, continuam sempre
a respeitá-lo durante toda a vida, e a procurar fazer todo o possível por
melhorar o mundo em que vivemos.
Podemos continuar, em adultos, fazendo coisas juntos, com
quem um dia, em jovem, prestou o seu Compromisso como Escoteiro?
2. Por
outro lado, há pessoas que, na sua juventude não tiveram a oportunidade de
praticar o "Grande Jogo" do Escotismo, e agora, como adultos, desejam
aderir aos valores do Compromisso Escotista.
Podemos oferecer a quem não teve a
oportunidade de ser escoteiro quando jovem, poder viver o Escotismo na sua
idade adulta?
O Escotismo para adultos é um movimento de Escoteiros na idade adulta, onde
quem o íntegra, põe em prática os ideais do Escotismo, com a finalidade de
prestar serviços à comunidade, como parte do desenvolvimento pessoal de cada
um, como adulto responsável, solidário, empenhado e autónomo.
O
Escotismo leva mais de 100 anos educando rapazes e raparigas para a cidadania.
Como
consequência disso formaram-se muitas gerações de adultos, educados civicamente
e motivados. Por isso ao terminar a sua etapa educativa no Escotismo, os
adultos que não podem ou não desejam prosseguir ajudando as associações dos
jovens, mas que querem prosseguir vivendo os valores da Lei e do Compromisso,
devem dar a sua contribuição na transformação do mundo em que vivem, seguindo
as recomendações de B. P. na sua última mensagem.
“Mantenham-se
sempre fiéis ao vosso Compromisso de Honra, mesmo quando deixarem de ser
rapazes”.
Podem, assim, continuar a sua tarefa, como elementos
isolados ou, bem melhor, em grupos organizados. Para isso, a Fraternal
proporciona a oportunidade de poder fazê-lo, na companhia de outros adultos.
A
educação Escotista vai muito para além da educação formal, (a educação escolar)
tanto em alcance como em duração.
A OMME
explicita: “a educação é um processo contínuo de desenvolvimento que não tem
lugar apenas durante os anos de formação (infância e adolescência). Continua ao
longo da vida”.
A
educação pelo Escotismo, é uma proposta que procura exercer influência no
cidadão para agir, por si, em favor do próprio e ao serviço da sociedade,
considerando que:
“Como
individuo, deve contribuir para o aperfeiçoamento de todas as suas
capacidades e em todas as áreas de desenvolvimento - física, intelectual,
emocional, social e espiritual.
Como
membro de uma sociedade, deve
contribuir para o desenvolvimento de uma consciência e preocupação com os
outros, do sentido de pertença a uma comunidade e à sua história e evolução.
Estas
duas dimensões não podem ser dissociadas, uma vez que não há “educação” sem uma
procura do pleno desenvolvimento do potencial duma pessoa, e não há “educação”
sem a aprendizagem da vida com os outros, enquanto membro das comunidades
local, nacional e internacional”.
DISCURSO DIRECTO, por Nelson Bento
Eu entrei para a Fraternal pouco tempo
depois de ter deixado a Associação dos Escoteiros de Portugal, porque o meu
novo emprego me impedia de desenvolver o trabalho com os jovens ao fim de
semana.
Durante estes quase seis anos escutei muitas críticas
envolvendo o escotismo para adultos, acusado de nem ter qualquer sentido ou
utilidade, um grupo de indivíduos que gostam de copos e festas, ou de o
escotismo ser só para os jovens. Pois bem, vou responder mostrando o que
fazemos e até porque, em certas circunstâncias, não existe outra associação em Portugal
capaz de dar resposta.
1.“O
Escotismo é só para jovens.” Será que sim?
Pessoalmente discordo. O escotismo não é, em primeiro
lugar, uma actividade de tempos livres para os jovens, mas sim uma forma de se
viver a vida seguindo o Compromisso de Honra Escotista. Sim, existe toda uma
formação na juventude, onde são percorridas as seis áreas do desenvolvimento,
com o objectivo de tornarmos os jovens escoteiros em adultos capazes de
enfrentar os desafios da sociedade onde vivem, desfrutando da vida ao máximo e
sendo felizes. Porém não deixamos de ser Escoteiros ao nos tornarmos adultos.
Será que o único lugar para o adulto no escotismo é a formação dos jovens? Para
mim não existe nada mais errado, pois nessa linha de pensamento perdem-se os
valores escotistas e ensina-se o que não é praticado, porque só o jovem é
escoteiro. O escotismo é a minha maneira de estar na vida, sou escoteiro hoje
enquanto adulto como o era enquanto jovem, o Compromisso é para ser honrado na
minha vida exactamente da mesma maneira. Eu sou muito grato por todos os dias
po-der ser membro de uma pequena associação, onde os meus irmãos mais velhos
partilham comigo as vivências escotistas, ensinando e aprendendo muito no espírito de partilha praticado por nós. Aprendi muito nestes quase seis anos de
Fraternal, aprendi a lidar com debates de ideias de uma forma saudável.
Podemos ser aguerridos na defesa do nosso ponto de vista, mas se outra for a
escolha colectiva, vou trabalhar com o mesmo empenho e, depois do debate, vou
muito feliz almoçar com a pessoa com quem estive a debater, porque é um irmão
escoteiro de quem gosto muito e o respeito apesar de pensar de maneira
diferente da minha. Também, tudo o que hoje sei sobre caminheirismo, aprendi no
tempo em que estou na Fraternal, tendo a possibilidade de participar em
actividades com outras associações. Sim a Fraternal sempre me apoiou muito na
interacção com outras associações, para o meu desenvolvimento pessoal e hoje
até posso dizer que um grupo juvenil está a aproveitar dessa minha aprendizagem.
2.“O
Escotismo adulto é um grupo de amigos que só quer copos e festas.”
Este é outro dos argumentos mais utilizados para criticar o escotismo adulto.
É dos pensamentos mais errados que podem existir. Na central do Banco Alimentar
aqui de Setúbal, eu vejo o empenho e dedicação da Fraternidade Nuno Alvares,
não só nas campanhas mas em todo o ano, para recolher alimentos na luta contra
a fome. Nós, na Fraternal, apesar de não termos estrutura para fazer algo de
tal dimensão, também estamos presentes nas campanhas, com os que podem fazê-lo.
Na nossa região da Fraternal em Setúbal, entre outros, tem sido desenvolvido
trabalho com a Associação de Autismo, na promoção do escotismo nas escolas,
apoio a grupos juvenis de escoteiros, promoção do escotismo (cem anos do
escotismo na Região de Setúbal), etc. A mim, parece-me que isto vai muito para
além de copos e festas. É verdade que
não conseguimos ter a dinâmica dos movimentos juvenis mas, ao contrário das
críticas, nós lutamos para praticarmos o escotismo em todos os dias da nossa
vida, não somos pessoas que fomos escoteiros numa associação juvenil e, ao
deixarmos a mesma, deixamos simplesmente de ser escoteiros. O Escotismo para
mim começa na Alvorada de cada manhã da minha vida e termina no Silêncio do
adormecer de cada noite. O verdadeiro escoteiro vive assim. O verdadeiro
escoteiro é sempre escoteiro, pode continuar a conviver e a trabalhar junto de
outros escoteiros na vida adulta, de forma livre, sem ser obrigado ao
condicionalismo que muitos querem impor, da obrigatoriedade de ser dirigente
para poder ser escoteiro adulto, por essa ordem de ideias só se é escoteiro
quando se usa o lenço e durante o trabalho com os jovens. Discordo completamente
e sei que para mim o escotismo é todo o meu viver, é a minha maneira de estar
na vida.
3.“Eu
nem nunca ouvi falar da tua associação”.
A minha associação é bem pequena, talvez uma das
mais pequenas das associações portuguesas para o escotismo adulto, porém é a
mais antiga e a mais preparada. Tenho muito orgulho em fazer parte dela. Até
penso que, provavelmente, seria a única associação em Portugal que aceitaria
Baden-Powell como seu associa-do, se ele quisesse ser escoteiro até aos oitenta
e um anos como o foi, devido à sua a religião anglicana. Dá que pensar, se ele
aparecesse hoje e ninguém soubesse quem ele era, apenas a Fraternal poderia
conceder-lhe a oportunidade de ser escoteiro em Portugal. Mas a Fraternal vai
muito mais longe e abre muitas mais por-tas para o futuro. Hoje no pequeno
Núcleo local do qual faço parte, somos pioneiros na diferença, o Núcleo tem
praticantes de quatro religiões diferentes, sim quatro, e trabalhamos com
elementos que hoje não tem um lugar próprio na sociedade, o Escotismo
Especial. Noutros países existem associações especializadas nesta área, mas
infelizmente em Portugal ainda não o temos. A Fraternal é uma solução imediata
para essa área mal desenvolvida no nosso país. Eu adoro estar com os elementos
do nosso Núcleo, somos todos amigos, mesmo que bem diferentes uns dos outros,
mas sempre com um ideal em comum, vamos tantas e tantas vezes beber um café,
fazer uma viagem ou uma caminhada, para nós o importante são os laços que nos
unem, os laços do Escotismo.
Para mim é um enorme orgulho ser membro da Fraternal
Escotista de Portugal, uma pequena associação empenhada em viver o escotismo e
dar esta mesma vivência a todos os adultos que a quiserem receber, não podia ficar calado ouvindo argumentos negativos de quem nem sequer imagina o que aqui
se faz, em prol de uma sociedade mais justa e mais fraterna.
Sempre pronto a servir!
Perfil de um Escoteiro adulto
Se um dia, alguém me pedisse para descrever
o perfil de um verdadeiro escoteiro adulto, talvez o definisse como um
indivíduo que ainda criança tivera a sorte de entrar para um Grupo de
escoteiros onde encontrara chefes dedicados e competentes que o levaram a
jogar “o jogo do Escotismo”, em todas as suas prerrogativas, lhe deram a
conhecer a deliciosa aventura de viver com a Natureza e a importância da
vivência em grupo, ajudando-o a descobrir os Princípios e Valores que o Método
cultiva. Ensinaram-lhe a conhecer-se, a superar-se e a respeitar a si próprio e
aos outros. A aprender fazendo, valorizando os conhecimentos dos demais e
participando com interesse e disponibilidade nas tarefas colectivas.
Ao crescer, desenvolvera os seus conhecimentos,
traçando o seu projecto pessoal de vida, com a segurança de quem sabe “conduzir a sua canoa” e com respeito
pelos que o rodeiam, cultivando os valores aprendidos no Escotismo e, no
momento próprio, numa opção consciente, trocou as fantasias do “jogo” e da
aventura pela interiorização do Compromisso assumido e tornado opção de vida,
valorizando os ensinamentos escotistas numa postura de cidadania e de
responsabilização perante si próprio e a sociedade, da qual se assume cidadão
interveniente e responsável.
Confesso que tenho a felicidade de conhecer (ou ter
conheci-do) pessoas assim, cidadãos conscientes da sua posição na sociedade,
profissionais competentes, probos e respeitados que, naturalmente se afirmam
escoteiros, testemunhando a importância do Escotismo na sua formação, enquanto
homens (ou mulheres) e cidadãos conscientes e úteis.
Todos os que nos
afirmamos escoteiros, deveríamos ser assim, não acham?
Mariano Garcia
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