Monday, February 25, 2013

O LIVRO DOS ESCOTEIROS

“Mais que um guia técnico é um guia dos princípios que unem 80 mil escuteiros e escoteiros no activo em Portugal”. Assim descreve a autora, a jornalista Marta Reis, que pretende homenagear o “maior e mais antigo movimento juvenil no país, dado que as duas maiores associações, a Associação dos Escoteiros de Portugal e o Corpo Nacional de Escutas que completam 100 e 90 anos, respectivamente. É uma homenagem ao espírito de fraternidade, aventura e superação individual que é seguido activamente por cerca de oitenta mil pessoas em Portugal - e perto de 30 milhões no mundo.  
Representantes de diferentes gerações da AEP e do CNE partilham memórias, experiências, aprendizagens e reflexões numa obra que, atravessando a História e registando curiosidades ligadas a este fenómeno universal, capta os valores essenciais do Movimento Escotista, e onde  também se  fala da Fraternal Escotista de Portugal.

CONFERÊNCIA NACIONAL da FRATERNAL

Vai realizar-se no Parque Nacional de Escotismo da Caparica (PNEC), no dia 23 de Março, pelas 10.30 h., com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Apreciação (Discussão) e votação do Relatório de Actividades e Contas referente ao ano de 2012.
2. Apresentação, discussão e votação das propostas da Direcção:
a) Alteração aos art.º 13.º n.º 3 e art.º 17.º dos Estatutos, em conformidade com a exigência da Procuradoria-Geral da República;
b) Alteração do Regulamento Geral;
c) Outras.
3. Apreciação (Discussão) e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2013.

MISSÃO DA FRATERNAL

Uma parte da MISSÃO da FRATERNAL consiste em ajudar os seus membros, - através de um processo de contínuo desenvolvimento -, a transmitir o espírito do Compromisso e da Lei de Escoteiro nas comunidades em que vivem e trabalham, prestando serviço activo a essas comunidades, mobilizando-os e à sociedade em geral, na promoção da paz e do bem-estar social, numa perspectiva de formação ao longo da vida e de educação para a cidadania.


O terceiro milénio trouxe-nos um cenário completamente novo, com desafios novos e antigos que se colocam aos homens e mulheres do nosso tempo, instando-os a ultrapassar fronteiras que se constituem como verdadeiros desafios à civilização.

Quando pensamos em algumas dessas novas fronteiras, facilmente se compreendem as dificuldades e os tipos de tarefas que toda a Humanidade é chamada a desenvolver:
1. A massiva onda migratória do sul para o norte;
2. O desenvolvimento por todo o mundo de novas formas de terrorismo, crime organizado, crises económicas e financeiras, problemas ao nível das fontes energéticas, alterações climáticas;
3. As inúmeras zonas latentes de guerra ainda existentes;
4. O número crescente de pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza ou em precária subsistência;
5. A crise, especialmente no mundo ocidental, das instituições que sempre foram consideradas como a espinha dorsal da sociedade humana, como a família, o estado social, etc.;
6. A nova visão relativamente à idade adulta, que deixou de ser considerada como um ponto de chegada comum a to-dos, para passar a ser encarada como uma fase subjectiva, que deve ser continuamente construída a partir da adolescência e até ao fim da vida.

Em face destes enormes desafios, os homens e mulheres do nosso tempo parecem fragilizados, frequentemente incapazes de assumir as necessárias responsabilidades e enfrentar adequadamente os problemas. Na realidade existe até a percepção de que uma esperança média de vida mais longa não é contrabalançada por uma maior maturidade ou desenvolvimento psicológico.

Verificamos actualmente que existe um crescente número de jovens adultos com uma clara necessidade de descobrir locais e oportunidades onde eles se possam encontrar e desenvolver em conjunto, de modo participativo, novas possibilidades de expressão das suas aspirações e desejos. Trata-se de uma espécie de formação em que o adulto se envolve, de forma voluntária, quando quer desenvolver as suas capacidades pessoais ou gostos, sem pretender aumentar directamente as suas competências profissionais. Nesta esfera, o principal objectivo do adulto é o seu desenvolvimento integral, de modo a melhorar cada vez mais a sua qualidade de vida e posicionamento social.

A formação (desenvolvimento) de adultos tem três objectivos principais:
1. O desenvolvimento das pessoas e da sua autonomia para compreender, avaliar e escolher a sua vida, como cidadãos, profissionais e agentes de funções sociais;
2. O desenvolvimento da sociedade relativamente ao aspecto cultural, económico e político, tendo em conta a complexidade e a velocidade a que as mudanças se dão nos nossos dias;
3. O desenvolvimento das sociedades nas quais o adulto vive e trabalha (o local de trabalho, a família, as associações a que pertence, etc.).

Estes objectivos devem ser programados de acordo com um método específico que terá, obrigatoriamente, de ser diferente daquele que é seguido na formação dos Escoteiros, à excepção de alguns princípios gerais, uma vez que é necessário ter em conta as especificidades da idade adulta e respeitar integralmente a autonomia das pessoas, quanto aos modos e ritmos de aprendizagem, formas de expressão, interpretação, avaliação, decisão, comunicação e acção.

Um dos primeiros princípios gerais do método Escotista é a auto-formação que é importante para os jovens e indispensável para os adultos.

Outro princípio geral do Escotismo, igualmente válido para os adultos, é aprender fazendo. Isto significa que a formação contínua tem lugar através de um envolvimento concreto nos contextos sociais, políticos e religiosos em que o adulto vive e actua.

Outros princípios Escotistas aplicáveis aos adultos são o contacto com a natureza e o serviço à comunidade e ao próximo. Viver em contacto com a natureza, deixar de lado hábitos antigos, estar pronto a encontrar-se com os outros, testar as dificuldades físicas, mas também a alegria de comungar com a natureza. Andar – mesmo que o esqueçamos com frequência – é uma das funções mais naturais. Descobrir em conjunto os tesouros da história e da arte, paisagens e vistas inspiradoras, envolve o aprofundar da amizade e do relacionamento com os outros, aprender a viver a vida de modo mais simples, desenvolver a parte mais humana e espiritual.

O papel do Núcleo (Fraternal Local) – a comunidade de adultos – reveste-se da maior importância. Deve ser um espaço de intercâmbio de opiniões e experiências, onde a capacidade de entender a história se redescobre, pondo à prova a condição humana, de forma pacífica, e encontrar razões para partilhar e assumir responsabilidades, bem como aprofundar o sentido pessoal da ética e da moral pública.

A Fraternal é diferente das comunidades de Escoteiros, que são associações verticais, com os jovens de um lado e os dirigentes do outro. A Fraternal é horizontal, uma vez que cada um tem nas mãos o seu próprio desenvolvimento e processo formativo, agindo com e para os outros, apesar de existirem pessoas responsáveis pelo planeamento e realização das actividades. Aqueles que assumem funções de liderança na Fraternal desempenham um papel fundamental, mas não são dirigentes, são antes “um entre iguais”, um coordenador, alguém capaz de encorajar o envolvimento de todos os membros da Fraternal, dando pistas que potenciem o crescimento comum e a manutenção da unidade dentro da diversidade existente.

Estas pessoas devem desenvolver o seu trabalho de modo cuidado, demonstrando humildade e respeito por todos, constituindo-se como modelo através do seu exemplo de esforço e compromisso para com as suas funções. Por outro lado, as actividades da Fraternal devem dar resposta a todas as fases da vida adulta, que está a tornar-se cada vez mais longa. Assim sendo, não é possível conceber um modelo único de funcionamento dos Núcleos da Fraternal. Podem existir actividades mais vocacionadas para os primeiros anos da vida adulta, quando as pessoas começam a dar os primeiros passos na vida profissional e familiar, e actividades para pessoas mais velhas, para pais ou até avós, na sua maioria já reformados e cuja energia física pode começar a escassear.

O serviço, ou seja, o trabalho voluntário a favor de outros, seja na comunidade civil, na Igreja ou no Movimento Escotista, é um meio muito poderoso de formação no Escotismo, sendo também valioso na idade adulta. Trata-se do proces-so sugerido por B-P para atingir a felicidade “para fazer os outros felizes” e da melhor forma de os adultos permanecerem fiéis aos valores essenciais da Lei e do Compromisso